A gestão do futuro escolar da criança por pais e mães diligentes tem ganhado ares olímpicos, quando não extravagantes ou abertamente doentios em casos extremos. Não digo que os genitores queiram o pior para os seus filhos, claro que não, isso jamais aconteceria em condições e tempos nos quais a competição por bons empregos e postos vantajosos na sociedade não estivesse tão presente desde o berçário, passando pela educação infantil e séries iniciais. Hoje é comum que os bebês sejam estimulados a engatinhar e a falar antes do coleguinha, de modo que avancem para a próxima etapa mais rápido, de preferência saltando uma turma, que é para ganhar tempo nessa infância gamificada. O que um recém-nascido faria com tempo extra além de sujar mais fraldas? Isso é irrelevante. Importa é que ele ou ela ou “elu” precisa aprender a ter pressa. Afinal, acabou de chegar ao mundo e tem de se projetar no superaquecido “mercado da fofura”, espécie de campo de disputas em que a concorrência é desleal. Só nã...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)