Estive horas na frente da TV acompanhando os movimentos de uma sonda que se deslocava lenta e imperceptivelmente através do espaço, contornando a órbita lunar como fazemos quando vemos um acidente na estrada, num misto de admiração e temor. Até que tudo se apagou. A muitos quilômetros de distância da Orion, me vi apalermado com essa proeza de tecnologia e engenho. Estava embasbacado em face do que representava aquele hiato de 40 minutos durante o qual os tripulantes, entre eles uma mulher, ficariam sem comunicação, sem notícias sobre guerras, sem qualquer som produzido além do das próprias palavras e pensamentos repetitivos. Essa cena dramática começou a se borrar, no entanto, quando a transmissão cortou para o que parecia a base de lançamento na Terra, onde um grupo de pesquisadores e técnicos se mostrava apreensivo, exatamente como nos tantos filmes de ficção que heroicizam os feitos norte-americanos ao transformar cada pormenor em atos de superação das limitações do gênero hum...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)