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Mostrando postagens de abril 6, 2026

Sobre 'Argonautas'

  “Talvez tenha sido um erro escrever este livro”, admite a narradora já no terço final de “Argonautas” (2017), de Maggie Nelson, uma obra comovente na qual os processos de mudança constituem o eixo em torno do qual a história avança. Digo avança, mas há mais idas e vindas do que propriamente progressão, já que se trata menos de percorrer caminhos e mais de entender os modos pelos quais alguém vai se tornando o que é – ou o que deseja ser. Nelson combina, assim, teoria e crítica, ensaio pessoal e autobiografia, citações e colagens, numa variação de registros que nunca parece esnobismo ou acumulação pedante. O resultado é uma obra sem gênero – um romance, uma autoteoria, uma viagem (daí o termo “argo”), defini-la importa bem pouco. Se não fosse cafona, diria que é um livro sobre amor – filial, mas também familial. Uma obra que investiga os limites da formação e da transformação seria outra aposta. Mais uma: “Argonautas” é sobre a possibilidade de não se permitir assimilar pelos flu...