Nunca houve tanta gente disposta a ensinar como e o que se deve escrever, quando, em que circunstâncias, se vale a pena consultar IA etc. Um manancial de dicas, que é como costumo chamar esses pequenos decálogos de sobrevivência para escritoras e escritores, manuais e cadernos de receitas pré-cozidas e prontas para serem levadas ao forno. Dicas para se projetar ou se encaramujar, pra arrasar nas vernissages ou se manter mergulhado naquilo que define a essência do ato de escrever, isto é, a escrita “per si”. Admito que tenho dedicado parte do meu tempo a ler essas dicas, que se contradizem em termos; enquanto um escritor sugere que me concentre nas minhas misérias e esqueça o motivo pelo qual estou realmente escrevendo (dinheiro), outro aconselha a me expor e procurar contato com outros espécimes da raça, ou seja, autores tão ou mais desesperados para publicarem o que quer seja e com isso se tornarem aquilo que estão predestinados a ser. Às vezes, exatamente por causa da naturez...
A gestão do futuro escolar da criança por pais e mães diligentes tem ganhado ares olímpicos, quando não extravagantes ou abertamente doentios em casos extremos. Não digo que os genitores queiram o pior para os seus filhos, claro que não, isso jamais aconteceria em condições e tempos nos quais a competição por bons empregos e postos vantajosos na sociedade não estivesse tão presente desde o berçário, passando pela educação infantil e séries iniciais. Hoje é comum que os bebês sejam estimulados a engatinhar e a falar antes do coleguinha, de modo que avancem para a próxima etapa mais rápido, de preferência saltando uma turma, que é para ganhar tempo nessa infância gamificada. O que um recém-nascido faria com tempo extra além de sujar mais fraldas? Isso é irrelevante. Importa é que ele ou ela ou “elu” precisa aprender a ter pressa. Afinal, acabou de chegar ao mundo e tem de se projetar no superaquecido “mercado da fofura”, espécie de campo de disputas em que a concorrência é desleal. Só nã...