A “turma da resenha” gosta de se referir ao jovem Neymar mais ou menos como os marxistas costumavam reverenciar o jovem Marx, isto é, como um oráculo preditivo (redundância justificada) cujo progresso confirma antigas expectativas de sucesso fundadas apenas na fé e no mau-caratismo. Mesmo carregado com auxílio de muletas para lá e para cá e há quase mil dias sem jogar futebol ou qualquer esporte que se pareça com isso, o camisa dez da Canarinho não perdeu sua condição de ícone do sebastianismo made in Brazil. É, sem nunca ter sido, esperança de gol e vitória ainda que habitando esse entrelugar esportivo, físico e existencial: nem fora nem dentro, nem escalado nem descartado, nem goleador nem perna de pau. Nem Cristiano Ronaldo nem Messi. Neymar é a promessa não cumprida de boa atuação de uma seleção que projeta na sua miraculosa recuperação a profecia autorreliazável de uma meritocracia de baixo custo – se ele quiser, ele pode. Mas Neymar quer, Neymar deseja? Nos sonhos dourad...
Comento tardiamente o jogo no qual a Alemanha venceu outra seleção, não vem ao caso qual, por placar de sete a um. O mesmo de 2014, sim, aquele pelo qual o Brasil se martiriza hoje ainda, um resultado inverossímil no futebol, adiposo, excedente, dispensável e deselegante. Numa Copa, então, quando uma vitória magra é mais que suficiente, dobrar o concorrente por uma margem tão ampla de tentos é exercício ocioso, uma flagrante insistência no erro. Porque o gol além da conta deixa de representar o gozo e passa ao seu contrário, seja ele qual for. Digo que, a partir do quinto, o jogo se turva, as regras se esfarelam e o objetivo da partida se arrefece. Já não há nada que explique por que onze jogadores de cada lado estejam às voltas com uma bola, tampouco que haja no estádio torcedores aos milhares berrando para o gramado. Atravessado esse limiar, a festa se encerra, sobressaindo tão somente o absurdo do número, o sete pendendo como uma conta que não fecha. E, no entanto, os alemãe...