O que é um rosto hoje? Me pergunto se ainda reflete uma identidade, se comunica um conjunto de traços por meio dos quais situamos outra pessoa no tempo e no espaço. Se é também informação importante ou se deixa de valer tanto assim, já que cada um passou a portar um rosto, a exibi-lo temporariamente, a se apresentar por ora. Vini Jr., por exemplo. É um outro e não é, não o reconheço mesmo sendo o mesmo e dele ter apenas uma imagem retida das transmissões de futebol, das fotografias etc. Se o procurasse, não saberia talvez de quem se tratasse agora que mudou de cara, e digo mudar porque creio que mudou de fato, como muitos outros, com resultados melhores e piores. Chegaria a alguém parecido, um rastro do que foi, um vestígio, uma pista, mas não ao jogador. O rosto já não localiza, mas dispersa. Recombinado segundo gosto e poder, altera-se sutil ou radicalmente. Não há mais fidelidade, quem sabe nunca tenha havido. Não reflete, mas inflete, convidando a um novo hábito, esse de ...
Fomos dormir com as ruas enfeitadas por causa da Copa e das festas juninas e acordamos desclassificados e sem o colorido do São João, tudo isso num intervalo de poucos dias, numa queda livre sem escalas. Da euforia da mistura de quadrilha e futebol para esse período de desencanto em meio ao deserto de julho, com as crianças em casa perseguindo seus pais com perguntas sobre derrota, fracasso e vergonha. É um golpe duríssimo numa rotina oblomoviana a que já tinha me habituado, de férias do trabalho, assistindo a cinco ou seis jogos por dia, quando não quatro ou três, às vezes apenas um, comprando pratinho em cada esquina e apontando as bandeirinhas tremulando pra minha filha a caminho da escola ou quando saíamos para o supermercado, onde nos demorávamos escolhendo goiabas e tangerinas, sem pressa alguma pra chegar. E agora nada, nem uma nesga de esperança, nenhum jogo marcado no calendário do próximo sábado ou domingo, zero expectativas em torno de uma vitória do Brasil. Logo as ...