Nunca entendi direito como nasce uma rua da Copa, dessas assim toda enfeitada e pintada, que parece brotar da noite para o dia nos bairros da cidade, com bandeirinhas feitas de papel ou plástico colorido tremulando ao vento, produzindo aquele barulhinho que é como arrulho do mar. Não sabia até deparar com uma rua cuja montagem fui acompanhando aos poucos, sem querer, primeiro desatento e depois como uma finalidade de fato, um propósito de vida, um grande ponto de interrogação existencial. Explico. A cada vez que passava para deixar minha esposa na faculdade, uma parte da via tinha sido coberta. Parava, descia, olhava para um lado e outro, não via ninguém. Nem sinal dos autores da obra coletiva, esses Banksy caboclos metidos em trajes camuflados que assaltavam o espaço público, incógnitos até de si mesmos. Quem eram, o que comiam, de onde vinham? Batia nas portas, alguém atendia, mas era um mistério, o vizinho dizia que tinha sido um grupo de meninos de outra rua, mas isso não e...
Tenho me esforçado para capturar e entender o estilo da IA, identificando-o entre tantos outros. Quero saber quando estou lendo uma frase escrita por uma máquina, e não por um humano. Como consumidor cioso dos meus direitos, me preocupo se o produto final que me entregaram é algo que de fato derivou do trabalho de alguém ou se foi apenas o ajuntamento de dados processados num milissegundo por um megacomputador fazendo-se passar por uma mente brilhante, ou não tão brilhante assim. Mas a verdade é que me sinto cada vez mais burro por isso. Digo, por traçar uma linha no chão e dizer que não vou ultrapassá-la, por insistir em afirmar que desta água não beberei, mesmo sabendo que o mundo está engolfado por ela neste exato momento. Afinal, escrever com IA se tornou uma atividade natural mais rapidamente do que eu tinha imaginado meses atrás, quando nenhuma Nobel de literatura havia ainda se manifestado em apoio a essa colaboração entre gente e IA, equiparando-a a uma interação rotineira entr...