Da “verba volant” de Michel Temer (MDB) ao Brasil com z de Flávio Bolsonaro (PL), mais de uma década se passou, mas o golpismo segue o mesmo. Mudou apenas o estilo, deixando de lado os maneirismos do então vice-presidente, poeta bissexto às voltas naquele 2015 com queixumes e outras mumunhas. Logo no primeiro parágrafo da sua missiva, o emedebista cravou, sem volteios: “Verba volant, scripta manent” – as palavras voam, mas o escrito fica. No caso de Flávio, quem voou foi ele mesmo, o candidato, certo de que suas palavras àquela altura valiam muito pouco e que nada do que fizesse ficaria. Horas depois, e já em terras estrangeiras após périplo contornando o mapa do país natal de jatinho cuja propriedade é duvidosa, o senador dirigiu-se ao “povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Como um revolucionário de Roblox ou tribuno de hospício, autoproclamou-se então liderança de toda a nação, ungido por si e por Paulo Figueiredo, neto d...
Alimento sempre uma desconfiança profilática em relação a certas palavras e conceitos, tais como wellness e maxxing, ambas pertencentes ao mesmo campo semântico, isto é, o das tendências de bem-estar que proliferam rapidamente na internet como soluções para tudo, mas que acabam se mostrando doentias. Tome-se “wellness”, por exemplo, carro-chefe de avanços na arquitetura e no paisagismo, na ginástica laboral e nos desenhos com tinta guache, no desenvolvimento de aplicativos e na decoração de interiores, na vestimenta e nos cuidados com pets. Não se tropeça mais na rua sem antes atentar para as condições de bem-estar físico e psicológico, regras mediante as quais o bicho humano se converte nesse cristalzinho delicado que precisa estar sendo constantemente metrificado por gadgets e paparicado por luminárias otimizadas para funcionar num ritmo circadiano e outras baboseiras do tipo high tech. Enfim, é um mundo que se abre quando a ponta do iceberg desse esquema de pirâmide wellness...