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Pajeú



Como narrar um rio? Como fazê-lo falar? Um rio tem linguagem? Se sim, que histórias contaria?

E com que palavras? Como ouvi-lo?

Basta estar em sua margem para escutar a trajetória desse rio subterrâneo, o fiapo que ainda resta e cujo dorso se mostra pouco antes de se enterrar novamente?

A história do rio é a história da morte do rio, a história da morte do rio é também a da cidade e das pessoas que se estabeleceram no seu curso ao longo dos séculos, anos e mais anos desviando rota e impondo ao traçado direções que não eram as suas.

Qual o custo da morte do rio?

Um rio tem preço, sabe-se quanto valeria no mercado imobiliário?

Um rio pesa na passagem do ônibus e no IPTU?

Um rio agrega valor ao apartamento?

Um rio não se mensura, ele simplesmente é esquecido, um rio vai aos bocados sumindo, deixando-se para trás, soterrado.

Um rio esquecido ainda é rio?

Como esquecer um rio cuja história é a da metrópole que o esqueceu?

Como se produz a morte do rio? Como se permite a morte do rio?

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