Estou encantado com essa “trend” dos flagrantes de famosos em arquibancadas de estádios talvez nunca antes visitados, e isso é apenas parte da fascinação. Porque o interessante mesmo é essa simulação do espontâneo, a produção do acaso, a fabricação do contingente e da presença. Capturados num instante que não é o seu, porque não corresponde ao momento de fato, estão ali, homens e mulheres, autênticos ou inventados com auxílio de IA, nisso não há mais diferença no mundo indiferenciado. Um momento postiço, é verdade. Efeito de cálculos, moldado para se confundir com o real, mesmo não sendo. E talvez a graça seja essa, isto é, o real é dispensável, defasado e inútil, ao menos por ora, já que o cansaço tecnológico vem a cavalo de galope, a ressaca do emprego contínuo de uma ferramenta, a cafonice de tentar fazer parecer o que não é. Poses, sorrisos, aparência despreocupada e esse apelo desconcertante que há no aleatório, naquilo que se deixa captar sem que haja aviso antes, que é con...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)