O mundo do concurseiro lembra uma igreja. Há sempre os testemunhos antes das aulas atestando a validade da fé no próprio esforço e afiançando que, se houver entrega e uma mentalidade vitoriosa, um dia essa vaga prometida chegará num certame qualquer, não se sabe se nesta ou noutra encarnação. Por razões pessoais, tenho passado a frequentar esses cultos. Gosto de me diluir na massa de alunos entre esperançosos e ressabiados, todos ungidos por uma graça distante e cada um imbuído de um propósito singular e levemente desesperado. Qual? Ganhar mais ou algum dinheiro e garantir estabilidade num mundo instável e prestes a colapsar, não interessa se hoje ou daqui a duas décadas. Para um grupo tão heterogêneo, o futuro é imediato e as opções, nenhuma. Ouço a voz grave do professor no evangelho das orações – subordinadas reduzidas de infinitivo –, e prontamente me genuflexo. Mas, como não estou certo de que esse verbo é pronominal (embora o use assim mesmo porque tenho preguiça de consultar o...
HENRIQUE ARAÚJO (https://tinyletter.com/Oskarsays)