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Sobre a crueldade



Oi, como vai? Posso puxar uma cadeira? Posso contar uma história? É, isso, só pra quebrar o gelo.

Acabo de ler sobre o lado cruel de animais considerados amáveis; fofos num sentido genérico. Focas, filhotes de lontras. Pequenos animais para os quais olhamos e logo imaginamos cenas bonitas, aconchego, calor, temos vontade de abraçar, de beijar. Então suspiramos e sonhamos alto, “bem, seria maravilhoso se todos se adorassem como as lontras se adoram”. Enfim, toda sorte de bons sentimentos.

Pois bem. Esses animais considerados fofos e amáveis são na verdade muito cruéis, foi o que acabei de ler. E, por alguma razão, isso não me causou nenhuma surpresa.

Claro, não apenas eles. Se há uma justiça no mundo é que a crueldade foi democraticamente distribuída.

Quero dizer, não é estranho que os tipos mais inofensivos sejam capazes de estuprar filhotes de outras espécies até a morte e continuar chafurdando nos corpos ainda que já estejam caindo aos pedaços de tão podres?

Foi o que pensei, a natureza, essa sonsa. Um monte de gente olha pra ela como quem olha um recém-nascido e conclui que tudo é muito perfeito e belo para não ter sido obra de algum deus bondoso.

Isso muda depois de lermos que algumas espécies de golfinhos matam por prazer, não muda?

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