Pular para o conteúdo principal

Não conta comigo


Não se enganem – a raça não tem jeito. Está fracassada. As metas da conferência de Copenhague não serão cumpridas – são inatingíveis. O Brasil não vencerá a Copa de 2010 – nem a de 2014.

Bono Vox tem contas em paraísos fiscais. Os filhos adotados por Madonna costumam ficar sem partes essenciais de seus corpos – eles são usados em experimentos genéticos financiados pela popstar. Visam ao lucro e ainda promovem eficientemente o merchandising social da cantora. Segundo cálculos de institutos de pesquisa gabaritados, cerca de 1/3 da receita obtida apenas com a venda de CDs deve-se à boa pinta dos meninos. Subliminarmente, claro. Objetivamente, o dinheiro vem da compra espontânea dos discos. Subjetivamente, é o exato oposto.

O Greenpeace é o braço militante do agrobusiness no Brasil. E por aí vai. Da mesma forma, não atribuam santidade a ninguém. Desconfiem – eis a sabedoria. E tenham sempre uma carabina à mão. Ou uma colher de pau.

Do contrário, ficaremos surpresos quando o vizinho a quem você cedera o lugar no ônibus disser dali a dois dias – passa o celular, passa a carteira, passa o pâncreas. Mas, vejam só: isso está acontecendo.

O que andam fazendo? Recebi romance de Junot Díaz. Leio ainda hoje. Bom, bom - lerei nos próximos dias.

A melhor hora para escrever é pela manhã, quando os dedos parecem filhotes, e não faltando 57 minutos para as dez da noite.

Observação: se receberem golpes baixos, entendam assim – trata-se de carinho exacerbado. E VAMOS EM FRENTE.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Terminando o ano

  Esse foi o ano dos bebês reborn e dos labubus, dos dispositivos de substituição e transferência de afeto, da desafetação e do dar de ombros para o desfile acelerado da vida. Ano do boom da IA e da promessa de um futuro edênico no qual o virtual e o real se equivalem, ano da tiktokzação do sofrimento e da grande diáspora das redes. Ano da fuga das galinhas, dos filmes de terror e do Neymar, ano da prisão e da romantização da prisão dos famosos e do presidente em sua eterna crise de soluço. Ano do vazamento e da sorte de adivinhar os temas sobre os quais milhões sonham em escrever na hora da prova, ano do mecanismo da sorte, da estrutura secreta que produz o futuro. Ano do ostracismo do panetone e da reabilitação do ovo, ano da graça e também da desgraça, ano do recolhimento meditabundo e do desbunde, da ioga e do forró raiz. Ano das desescritas do eu, da arte do baixo ventre, da grafia do corpo sem corpo, enfim, ano de toda sorte de golpe mercadológico para vender mais no país q...

Coca normal

A moça do caixa pergunta se a Coca “é normal ou zero”. Respondo: “normal”, mas logo me assombro com a normalidade angustiante da Coca normal. Olho de repente para a lata vermelha com letras brancas, e o mundo gira em falso. Tento identificar na sua forma geométrica a qualidade que lhe conferiria um enquadramento dentro das expectativas de um padrão de consumo, o que por certo justificaria essa escolha vocabular em contraste com a anormalidade de outra Coca, esta classificada como “zero”, logo como desviante. “Normal”, repito, e por normal quero dizer o quê? Já não sei, não faço ideia. Rodopio no espaço-tempo semântico. Mas continuo a dizer normal sempre que me pedem para escolher entre esta e aquela, como alguém que gosta mais de maçã do que de uva ou banana. Estou parado na fila, ouço o farfalhar das línguas estalando de impaciência atrás de mim. Até esboço um sorriso. Um meio sorriso que se arma não ironicamente para sinalizar que os termos dessa transação linguística são outros, ou ...

Artes da lentitude

  Lentitude: trata-se de uma dessas palavras com que topei ao acaso e que remete a toda ação que pretenda de algum modo frear o tempo, estancar a corrida, sanar o descompasso e retardar essa defasagem entre o biológico e o social que se instaura no capitalismo tardio (ou tardo-capitalismo, ou pós-capitalismo tardio, ou pós-modernidade tardia etc.). Ler volumes antigos ou novos, quem sabe, ver filmes inteiros, ouvir discos até o final, demorar-se em qualquer atividade cuja realização requeira um grau maior e já em desuso de atenção, examinar de perto e com genuíno interesse o crescimento das plantas e a qualidade da água dos peixes, antes que morram por falta de oxigênio. Enfim, ter com as coisas uma relação estendida e continuada, eu diria desligada de qualquer noção de esgotamento pelo consumo, de pedagogia mercantil, de fruição pelo fragmento e experimentação de uma miudeza que se basta porque dispensa o conhecimento que ultrapasse o ponto. Suspeito que a gente tenha se content...