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EATING FROGS


Não sei, mas talvez tenha mesmo me perdido. Saio e não reconheço a rua onde moro. As casas têm cores diferentes. O pitbull da frente foi substituído por um rotweiller. A antena feita de tampa de panela cedeu lugar a qualquer outra coisa que não sei o que é.

Descubro: a fome, a sede, o frio, o calor, a solidão, o álcool, a chuva dos últimos dias. Tem chovido. Tanta coisa pode enlouquecer alguém.

Hoje cortei o pé. Uma dor profunda. Começa fraca, mas logo se intensifica. O sangue escorre. Tampo tudo com um papel. Depois, com esparadrapo. Faço curativos, mas sempre fui péssimo com bandagens. As bordas ficam soltas, a ferida nunca fecha totalmente. Há sempre mais carne inflamada que esparadrapo para cobrir. Por isso minhas feridas demoram. Vira e mexe, elas voltam. Jamais saram totalmente. Feri o pé também. Uma ferida antiga, doída. O pé me sustenta. Vou tentar caminhar apenas com um, saltando. Como o SACI.

Outra surpresa: tenho um corte no braço. Tem quase a minha idade. Anteontem, voltou a porejar sangue. Achei surpreendente. No joelho, os talhos de queda quase sempre se abrem novamente. Não há pomada ou mertiolate que possam amenizar nada. A dor vem, bate, bate, depois vai embora. Volta na manhã seguinte.

A dor é caseira. Como um sapo de olhos vermelhos.

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