Agora que o travessão sumiu da escrita maquinal da IA, os detectores passaram a identificar o uso humano do símbolo gráfico como se fosse artificial, e o artificial como se próprio do humano, numa inversão de papéis na qual há um jogo de gato e rato. Nele o humano se confunde com a máquina e a máquina com o humano, mas logo haverá esse momento em que começaremos a copiar o gesto do humano postiço da IA, que se tornará uma referência para quem escreve e trabalha e faz outras coisas cuja realização depende em alguma medida da criatividade. E o que a máquina dirá? Que aprendeu com o humano a escrever como se fosse humano quando o humano não se espelhava no que a IA manufaturava, mas, de lá pra cá, esse fio da meada acabou se perdendo, de modo que ninguém tem a menor ideia hoje de quem copia quem, se a máquina ao humano ou o contrário, o humano à máquina.
Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...
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