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Postagens

TODOprosa

Alguém leia a retrospectiva dos Sobrescritos do Sérgio Rodrigues, por favor. É de matar de rir. E vai até o dia 11. E, depois disso, só no livro. Ou nas postagens antigas. A última trata do Falso Escritor ( The Bogus Writer ), aquele que fuma Marlboro pensando que é Gauloise e escolhe minuciosamente o instante seguinte vendo-se a partir da grua que tem instalada em algum espaço vazio do cérebro. Bom, vão lá.

ATO institucional Nº 1

Viajei. Fui à serra cobrir-me de ervas aromáticas, dançar a dança do siri e beber bastante vinho. Friorento, pus duas camisas, três pares de meias, duas calças, sendo uma delas de moletom escandinavo, ou seja, aquele que mesmo sob nevascas e chuvas de granizo sequer orvalha. Mentira, claro. Mas estava frio. Dormimos no carro, apertados na traseira, cansados depois de tanta folia, entupidos de cerveja e nicotina, sem um tostão no bolso para pagar um quarto decente, com cama e lençóis. Resultado: não conseguia esticar as minhas pernas. Porque éramos três. Sim, três. Espremidos na traseira de um Peugeot estacionado ao lado da casa do prefeito recém-eleito, nos fundos do prédio que dá para a praça principal da cidade, que é um ovo. Literalmente. Percorrendo-se uma rua, chega-se rapidamente ao seu início. Como uma cobra que engole o próprio rabo. Voltando. O lugar também era uma espécie de Rota de Fuga dos Maconheiros de Plantão, que param por ali para acender os seus baseados e dar uma tre...

Pede pra sair, MALLU!

Alguém aqui viu o Altas Horas de ontem/hoje? Sim? Não? Explico por que o interesse. Tinha a impagável Mallu Magalhães respondendo as perguntas de um desconcertado Serginho Groissman e o bobalhão do Wagner Moura brincando de cantar. Gente, gosto do Moura. Adorava o “Sexo Frágil”, aquele seriado da Globo. Era engraçado. Sim, gostava daquilo. Mas esse Capitão Hamlet interpretando canções de Reginaldo Rossi e outros bregas é de lascar o cano. O cara é ruim pacas. Além de mascarado, canastrão, fica posando de Olavo o tempo inteiro. Até convidou a Flávia Alessandra para dançar. Depois chamou a Mallu para cantar com ele. Fez a menina passar vergonha balbuciando as coisas do Reginaldo. Isso não se faz. Depois ainda, fez mais poses de galã de novela/ator de teatro renomado/cantor/cara descolado. Bom, mas o melhor nem foi Wagner Moura. Foi a Mallu, que quase chega a irritar o Serginho com aquelas respostinhas engraçadas. Como você aprendeu a tocar banjo? “Tocando, ora”. E essa caixa, você sempre...

Without you! Without glu glu!

Enquanto isso, na SALA DE JUSTIÇA... Como foi o Natal da rapaziada? Tranqüilo? Para mim, algumas cervejas, muita comida e cama. Nada mais. Todo ano é assim. Não costumamos trocar presentes em casa. Presentes têm densidade maior que a da água. Portanto, pesam, não flutuam. Eles caem e caem, descem e descem. Na verdade, quem cai mesmo é nossa família. Não sei por que, mas tenho a impressão. Vou dizer uma coisa: família é importante. Essa tradição de dar e receber presentes se perdeu em algum ponto antes ou depois da separação dos meus pais. Talvez na mesma época em que deixei de ficar ansioso a cada 12 de outubro. Um pouco depois disso, quem sabe. Mas o certo é que se perdeu, definitivamente. Ninguém se assusta quando chegamos de mãos abanando e nos abraçamos. Acho que nem isso fizemos neste ano. Apenas comemos e pronto. Nos empanturramos e dormimos. Quer dizer, a comida ficou pronta na cozinha. Na sala, todos banhados e vestidos. Cada um montou seu prato e, em seguida, procurou uma cade...

resENHA

O SENHOR DA GUERRA A GUERRA DO FUTEBOL , DO POLONÊS RYSZARD KAPUSCINSKI (1932-2007), TRAZ RELATOS DE CONFLITOS ARMADOS OCORRIDOS DURANTE A GUERRA FRIA. ENTRE ELES, O EMBATE QUE SE SUCEDEU À PARTIDA ENTRE HONDURAS E EL SALVADOR NAS ELIMINATÓRIAS DA COPA DE 1970 HENRIQUE ARAÚJO>>>ESPECIAL PARA O POVO Embora haja muitos fatores que levem a minimizar a defasagem entre os anos que demarcam um período histórico qualquer e outro, um deles merece destaque: a capacidade exclusivamente humana de resolver suas pendências intra-espécie utilizando armamento pesado. Dito isso, pode-se partir para a leitura de A guerra do futebol (Companhia das Letras, 2008) sem nenhum tipo de preocupação que resulte do fato de as reportagens compiladas no livro de Ryszard Kapuscinski terem sido escritas entre os anos de 1960 e 1980. Sim, aquela África não é a mesma desta. O cenário mudou. Como disse alguém, “os pára-quedistas belgas não estão mais lá” e alguns ditadores foram substituídos por outros. De ...

Antes ainda e novamente

Estamos por aqui. Mais tarde nos falamos. Por ora, fazer o social. Enquanto isso, perguntem qualquer coisa ao casal. Eles dirão.

NO COUNTRY FOR OLD BOYS

Vou dizer rapidamente o que tenho a dizer e depois dormir um pouco antes da ceia natalina. Afinal, nem tenho mais o que esconder após ter deixado escapar um arroto cujas ondulações sonoras – e odoríficas? – alcançaram a visita que estava na sala conversando com os de casa. Em seguida, ela (não a visita, mas “ela”) perguntou: “Tu QUER ME MATAR DE VERGONHA?” “NÃO”, respondi. Foi a Coca-Cola. Foi sem querer mesmo. Espero que não tenham uma má impressão de mim. Sou bem-educado. Sempre libero o assento da frente no ônibus quando algum velhinho alquebrado rasteja até e, sem forças, suplica estendendo um braço cheio de veias azuis saltando como pipocas numa panela. Mas o que tinha mesmo a dizer a menos de 12 horas do Natal? Nada. Não tinha ontem. Continuo não tendo hoje. Apenas que o 24 de dezembro é um dia que mexe com as pessoas. Brigas, bebedeiras, manifestações populares. Em frente ao Pão de Açúcar, um grupo rumoroso de pessoas vindas dos bairros mais pobres dessa área – Antônio Bezerra, ...