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Documentos, por favor!

Para animar o começo de semana - que veio de encomenda, acreditem -, algo saído da gaveta de Ana C.: Projeto para um romance de vulto - Você se importaria de ler algo sórdido? Não, não é bem algo sórdido, pelo contrário, é uma página importante que testemunha a obsessão de registrar todos os pormenores de uma mente e todo o desenrolar da história do pensamento. Eu me curvo e me escondo ante o que escrevi ao me entregar totalmente a esta obsessão. E sinto inclusive o infeliz medo da tua leitura mas fico subitamente feliz porque percebo que deste medo posso fazer outros textos que tematizem o medo e depois falem do texto que escrevi para aplacar o medo e dos outros textos que escrevi para aplacar os primeiros textos. Mente vazia, mente vazia... Estive sonhando nas últimas horas, últimos dias. Primeiro assaltava um super-mercado. Depois, criava um dos episódios da quinta temporada da série predileta. Em seguida, era sumariamente demitido do emprego. Tentava entender por que tinha sido pos...

PAGÃOS BOBÕES

É uma pena mesmo. Não tem ninguém traduzindo “Infinite Jest”, de DFW. Pior para mim, com esse inglês de taxista da Beira Mar. O livro é grande, tem quase mil páginas. Cada página vale por dez. Então tem 10 mil. Como dito, a SINFÔNICA DE SÃO PAULO VEM AÍ. DIVULGUEM. E VÃO ASSISTIR. NO PARQUE DO COCÓ E NO THEATRO JOSÉ DE ALENCAR. NOS DIAS 9 E 10 OU 9 E 11, NÃO LEMBRO. UMA APRESENTAÇÃO É INTEIRAMENTE GRATUITA. A OUTRA, INTEIRAMENTE PAGA. Dica da Maria . Outra dica: amanhã tem mostra Ingmar Bergman ou qualquer coisa parecida no CCBN. Salvo engano, às 18 horas. De qualquer forma, não custa ligar e perguntar horário e o que mais vier à cabeça. Até mesmo se a mostra é do Bergman ou, sei lá, dos Trapalhões. Em um ou outro caso, talvez esteja lá. Em seguida, provo do recomendável café com leite. Sim, recomendo que, além de mim, ninguém mais pense seriamente pedir um café. Que mais? Sabem o último texto publicado aqui? Não levem a sério, não. Foi escrito para ser lido em um seminário da cadeira ...

TIPO SANGÜÍNEO

Ver tipo 450 mililitros de leucócitos, eritrócitos e fatores de coagulação saindo vagarosamente do seu braço por meio de um tubo plástico translúcido e entrando numa bolsa bem parecida com aquela nécessaire que a sua mãe usa quando tem de ir fazer as unhas foi algo que Felipe super não queria ter visto. Não às oito da manhã de uma terça-feira gorda, quase reimosa. Mas foi o que Felipe super viu. Estirado numa maca, ainda sonolento, assistia inquieto um líquido vermelho indispensável ser bombeado de seu corpo magro, mas acima do peso exigido: 50 kg. Tava mais pra figurante de um dos Jogos Mortais. Tipo o cara que morre primeiro e serve como aperitivo para as muitas outras mortes que ainda virão? Ele se sentia bem assim. Tudo porque do outro lado da cidade tinha esse cara imbecil que super sabe dirigir mas quase nunca faz isso sóbrio. Então tinha esse cara deitado numa cama que as pessoas chamam na boa de leito de hospital. E tipo a situação dele era grave, precisava de algumas bolsinha...

A consagração do "Eu-hiperbólico"

Acabou. Antes de pousarem, nada. Nem ninguém. Novo PEM? Ninguém sabe, ninguém viu. Um buraco, um fosso. Como um baú sem fundo, um espelho sem reflexo. A assimetria espontânea? Talvez. Um detalhe: não gosto quando tudo se descola demais da realidade, da esfera do plausível, do racional, quando descobrimos que o herói franzino pode porque pode voar e nada explica isso, NADA. O liame é tênue, pendura opções que facilmente escorregam de um lado e outro, passam de cá para lá e vice-versa num piscar de olhos. Mas eu não queria que com eles fosse assim. Quero o terror na terra, o horror do real, o vexame de estarmos visceralmente presos ao aqui e agora. Não sei, mas acho perigoso... O rumo das coisas, pessoas e coisas, entendam. Quero absurdos encerrados em três dimensões e não em dez ou mais. Gosto da família de coelhos, eles são assustadoramente reais. Portanto, a grande diferença: estar tão distante que a própria distância se torna detalhe e tão próximo que qualquer passo além da esquina n...

À direita, à direita novamente, em seguida vá em frente

PARTE 456 Domingo. Escolhi certo? Resolvi assistir hoje “Império dos sonhos”, de Lynch. Bom, que dizer... Gostei. Vi parte ontem e parte hoje. Dividi o filme em duas lindas metades, duas lindas e fantásticas e grosseiras metades. Ainda assim, saí das três horas emudecido. Apático. Anestesiado. Quis entrar na televisão depois que as letras subiram e a tela ficou totalmente negra. E a música e a dança e Laura Dern foram-se. QUEM DIABOS É DAVID LYNCH?! Sua estrutura é absolutamente assustadora. Sim, o filme é longo, cansativo. Requer bocejos aqui e ali, esticar de pernas, estalar de vértebras, olhos que se esfregam e braços que se coçam impacientes. Fora isso, Lynch é enigma. Depois dele, vácuo. Ver e ver novamente. Gosto de labirintos. Gosto das fatias de tempo, dos vasos comunicantes que jamais se comunicam, das orelhas de burro, da luz, da cor, da textura, do horror. Lynch é horror. Cinema de horror. Porque a realidade é horror. Assistam. Domingo, que seja, mas assistam. Recebi “Breves...