Talvez Ancelotti tenha razão e o tropeço do Brasil não seja o fim, mas o começo, ao menos o começo de uma era sem Neymar. Foi o que o treinador quis dizer, afinal?
Que a partir de agora terá condições de montar um time sem a exigência de que um jogador inepto fosse convocado e atuasse mesmo quando se sabia que não tinha condições físicas?
Que a melhor notícia desse domingo de uma frustração que já se tornou familiar foi que a geração da qual Neymar é símbolo está finalmente pendurando as chuteiras?
Que a mácula do “sete a um” ficará para trás com o camisa dez, David Luiz e Thiago Silva, não exatamente apagada, mas enterrada o mais fundo possível com esse trio?
É possível que sim, que Ancelotti sugira que, sem o fantasma do fanfarrão e do seu choro fingido em campo depois de provocar o goleiro da Noruega e de a partida acabar num clima não apenas de tristeza, mas de melancolia, no que já é de longe um dos episódios mais vergonhosos de nossa história, tenha de fato a chance de preparar uma escrete sem o personalismo de um jogador cuja presença nos gramados abalou significativamente o desempenho do grupo num momento em que havia equilíbrio tático entre as duas equipes.
Em suma, quem sabe Ancelotti, um otimista inveterado, um visionário, um vitorioso nato, um profissional da desconversa, não esteja vendo o copo meio cheio, dizendo ao país do futebol nesse seu portunhol melodioso: veja bem, podia ser pior, mas o Neymar está se aposentando e não jogará em 2030, logo a probabilidade de sucesso da canarinho se eleva, não é mesmo?
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