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Nem Ele, nem eu (passeio I)


De repente, felicidade é o corredor bem vazio pronto pra caminhar indo e voltando sem interferências? É a chave que sai fácil do bolso da calça ligeiramente apertada? É o dinheiro da passagem certinho pulando da carteira diretamente pras mãos estendidas do cobrador do ônibus?

Felicidade é o quê? Uma lua, uma ponte, o vento, as pernas dançando paradas enquanto a cabeça perde seu centro gravitacional e rodopia e rodopia ao lado de outra cabeça?

Deus não saberia dizer, essa é que é a verdade luminosa, Ele não saberia nem por um segundo, de bate pronto, à queima roupa, responder com exatidão o que é a felicidade.

Tampouco eu.

Mas arrisco. É a felicidade um par de sandálias deixado pra trás, cabelo no ralo do banheiro, é a felicidade os fascículos que se vai juntando não pra si, nunca pra si, mas para que outro venha e diga que bom que estão todos aqui.

Menos o três, menos o três, que pena.

E só há tempo que você diga não tem problema, o três eu consigo rapidinho. E sai em disparada à procura.

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