Se eu tivesse 15 anos hoje, quem seriam os meus modelos de masculinidade, ainda que eu achasse que não precisasse de um?
Talvez Neymar? Fabio Porchat?
Acho que Porchat não, tem jeitão de beta, pior, de betinha. Certamente nunca farmou aura na escola, não inspira virilidade com aqueles óculos metidos a intelectual e a ossatura feminina, delicada.
O Neymar do antigo testamento sem dúvida. Não o de hoje, frágil, acima do peso e sem o apelo do atleta que dobrava qualquer mulher a seus pés.
Mas o velho Ney, que era menino ainda quando entrou no palco de um desses programas de auditório e logo foi agarrado por um sem número de garotas na primeira fila – aquele Ney era pica.
Cabelo esquisito, franzino naquele biquíni ridículo, mas já ali se notava o gérmen do cara que tinha nascido para guiar, e não para mijar acocorado no sanitário, coisa que talvez nem consiga fazer hoje por causa do problema no joelho.
Ninguém imagina o Porchat sendo o Neymar, nem ele nem o Gregório.
Olha o nome: Gregório, outro cuja simples visão não encoraja qualquer garoto a nada, exceto a pedir desculpas por décadas de opressão contra as mulheres.
O jovem brasileiro não tem exemplos de homens em quem se espelhar, essa é que é a verdade.
O Nikolas Ferreira?
Não sei, tem essa coisa cristã que soa postiça, é gente de bem e de família da porta pra fora, mas da porta pra dentro é um escroque, como a maior parte é.
Na música piorou, não vejo qualquer nome com estatura para servir de modelo aos projetos de machos de hoje, a garotada fica procurando em álbuns de figurinhas, mas não encontra nada.
Era diferente nos anos de 1980, quando a gente tinha Cazuza, Lobão, Renato Russo, Paulo Ricardo, os caras do Titãs, enfim, uma gama de homens que exalavam contrariedade e inspiravam a revolução por vir, poetas que não tinham medo da viadagem, que desmunhecavam à vontade, dançavam se requebrando no palco etc.
Eram referências, mas e agora? Sertanejo, funk, essas merdas, cultura rebaixada, pasto para o gado que se orienta pelas modas.
Os meninos estão sozinhos, órfãos de retidão e caráter, desesperados atrás de homens que lhes pareçam minimamente dignos de seguir, e não apenas carreiristas à procura de dinheiro e fama.
O Neymar não era assim, o Neymar era diferenciado.
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