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Está ruim, vai piorar

Tínhamos no início de tudo essa pretensão besta de que sairíamos melhores e que a pandemia seria oportunidade de um aprimoramento pessoal, algo como uma especialização em humanidades compulsória. E o que vemos é o contrário. Desandamos como gente, tudo em redor é prova de que os mortos não interessam, sejam uma dezena ou quatro mil.

E essa suposição de um ano atrás parece agora não apenas infantil ou ingênua, mas um traço constitutivo de uma certa maneira de enxergar uma praga que traria consequências inexoráveis para todos, é verdade, mas sobretudo para uns, os mais vulneráveis, esses para os quais a onda que sobreviria não era uma micareta cultural, uma gincana do espírito, um recreio para os adultos ilustrados.

De maneira que o espírito segundo o qual o confinamento seria como essa colônia de férias escolares é hoje não o erro, não uma falsa impressão ou demonstração do equívoco, mas o decalque, a comprovação de que, desde lá, março de 2020, a doença teria efeitos diferentes e se refletiria também distintamente sobre camadas diversas, mas isso não era necessariamente um problema. Como continua a não ser.

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