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A língua de P

Entardecia, e P ainda se perguntava se.

P sorridente batucando no celular e reparando em cada foto e cada mensagem.

P em seguida despida e chorosa e então novamente alegre como a saudar entre saltos no abismo um amor que chega.

P subitamente disposta ao acordar e no meio da noite entre tantos livros pescar um exemplar mais surrado da estante e nele ler não palavras, mas figuras.

P adivinhar agora num corpo alheio a trama enovelada de outra história cujo ponto de partida havia sido o acaso de estarem de frente ao outro no meio da rua olhando-se sem se ver.

P já esquecida de que lhe ocorresse semelhante acontecimento a esta altura da vida.

P tão jovem e sem filhos nem casa mas já mordida de uma desesperança que ameaça desde cedo apossar-se de corpo e tudo.

P então pergunta enquanto se despe se o ambiente hostil vai passar e se o ar vai se tornar mais respirável.

 P sem se interessar de fato por nada exceto o ato de descer e subir escadas e depois atravessar um corredor e em seguida fechar-se no escuro de uma tarde varrida em algaravia de pássaros e vento escasso de quase novembro. 

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