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Casarão

Um dia ainda conto essa história. 

Do casarão que foi construído e depois derrubado. 

Do casamento feito e depois desfeito. 

Do amor vindo de longe, do amor que esperava. 

Da aflição de não saber, do medo de ter sabido. 

Do desejo de retorno, do excesso de volta.

Do caso em suspenso, do caso encerrado. 

Do cearense, da italiana. 

Do Plácido, da Pierina. 

Do começo e do fim e do que vem depois. 

Até recomeçar com o casarão reconstruído e depois derrubado. 

Numa volta que se enovela. 

E assim até chegar novamente a outro canto, que é o mesmo. 

Porque essa história do casarão, da memória, do pedido, da mulher, da volta e do casamento. 

Essa é uma história que eu queria contar por algumas razões. 

A primeira é que, contando essa história, eu poderia falar não somente do homem que construiu um palacete para uma mulher que ele amava mas que estava longe.  

Eu poderia contar a história de Iracema. 

Porque a história da índia é a história do casarão. 


E a história do casarão é basicamente a história de uma construção que desabou antes do tempo. 


Como quase tudo na minha cidade. 


É ou não é uma história incrível?

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