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Use: é de graça II



Uma desvantagem de continuar com um blog é frequentemente se repetir, como faço ao recorrer ao exemplo da sonda, um artefato que, por uma razão que finjo não saber, atrai minha curiosidade desde que, aos 14 anos, li algo sobre teoria da relatividade e a maleabilidade da noção de tempo.

Primeiro, pela maneira como soa: sonda, algo tão perto de onda que é mesmo inevitável trocar uma palavra pela outra. Subtrai-se uma letra e pronto, o volume de água do mar deslocado por força do vento vira um objeto arremessado ao espaço.

Sonda e onda, vizinhos de sentido e de grafia. A relação entre as duas imagens, próximas e distantes, que dizem respeito à natureza e ao homem, nunca havia me ocorrido antes de começar a falar sobre as desvantagens de manter um blog, que são muitas, e as vantagens, também numerosas. Por exemplo: assistir à passagem do tempo refletido em virgulas, pontos e dois pontos, no comprimento das frases, no uso farto de certas palavras e na escassez de outras – isso é uma vantagem. A repetição, a obsessão, a recorrência, isso é uma desvantagem.

E só a continuidade e a observação atenta permitem enxergar os picos e os vales dessa cordilheira. 

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