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Que cidade é essa?



O que é uma cidade?

Desculpa, não devia ter perguntado isso. Cidade é tanta coisa. A imagem que temos dela, nós, nativos, a imagem que fazem dela, eles, forasteiros, a imagem que resulta da fricção entre as duas imagens, a de dentro e a de fora, mais uma terceira que ninguém sabe ao certo qual é, a imagem que os governantes vendem na publicidade oficial, que parece sempre muitos degraus acima da que vemos diariamente nas ruas, 

Todavia, essa imagem diária também é precária, falsa, incompleta, como já apontava Calvino naquele livrinho que todo mundo cita como epígrafe nos trabalhos acadêmicos, As cidades invisíveis, e mesmo as tantas cidades invisíveis, postas lado a lado ou formando círculos concêntricos, não definiriam o que é a cidade, nem Fortaleza nem qualquer outra.

Fato é que há sempre uma batalha, ora subterrânea, ora explícita, que se trava em torno da construção de uma imagem de cidade – falo uma, mas sei que são muitas e contraditórias e que no final é quase impossível estabelecer uma imagem que corresponda a um gosto comum, mediano.

A cidade é sempre a cidade de alguém, para alguém. 

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