Estava decidido, seriam todas escravas, brancas, negras, mulatas, pardas, altas, magras, cheias, fleumáticas, risonhas, cínicas, maledicentes, leitoras, mantidas em calabouço próprio, privado, pessoal, particular, refrigerado, pouca luz, isolado, alimentadas como convém, vestidas com os panos da moda, escravas brancas, pretas, um sortimento variado e duradouro, escravas do sexo, não repetiria escolhas por dois ou três anos, teria as mulheres que quisesse, podia pagar, custasse o que custasse, podia pagar, jovens, muito jovens, maduras, velhas, não haveria segregação, prometeu a si mesmo enquanto a luzinha do caixa rápido do supermercado indicava algum tipo de engodo bem debaixo do seu nariz.
Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...
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