Pular para o conteúdo principal

A musa da macharada



NOTA>>> E foi assim, dissertando sobre o borogodó do deputado federal potiguar & escritor & galã legislador Fábio Faria, que marquei estréia nas páginas da revista querida Playboy (edição de março, Michelly na capa). O texto foi publicado na seção Happy Hour, que trabalha humor e jornalismo autoral. Comprem a revista, leiam a matéria, vejam as fotos, que estão lindas. Façam o que não fizeram na adolescência sempre que dispunham de uma Playboy nas mãos. Abaixo, a íntegra da marmota.

O QUE FÁBIO FARIA TEM?

Henrique Araújo

Peguem a cabeleira basta de Andrea Pirlo, galã e meio-campista da seleção italiana. Em seguida, acrescentem a sensualidade de um Ricky Martin cuja imagem de macho alfa não tivesse sido arranhada nem um milímetro depois da ruidosa admissão pública: “Eu sou”. Finalmente, levem a mistura ao forno, mas não sem antes incluir na receita o charme e a fotogenia do espanhol Javier Bardem. Conseguiram imaginar? É evidente que o deputado federal potiguar Fábio Faria (PMN) não é tudo isso, mas nem o maridão de Penélope Cruz nem o cantor porto-riquenho tardiamente assumido possuem na carteira seletiva de petite-amie beldades como Adriane Galisteu, Priscila Fantin e Sabrina Sato. Ex-namoradas, infelizmente. Afinal, Sabrina e Fábio puseram fim recentemente àquela cláusula poética válida nos jogos do coração: que seja eterno enquanto dure. Para eles, durou 17 meses. A famosa largou o político ou o contrário? Não importa. O que queremos descobrir é: o que o deputado Fábio Faria tem que Tiririca, igualmente parlamentar, não tem? A questão é incontornável. Sabemos apenas que, aos 33 anos, esse bon vivant entusiasta das micaretas fora de época não está empenhado apenas na defesa dos interesses do seu Rio Grande do Norte. Quando não dedica horas à academia e ao cabeleireiro, o portentoso legislador rumina pensamentos sobre a vitoriosa trajetória de seu torrão natal como cidade-sede da Copa de 2014. Entre uma reflexão e outra, porém, folheia revistas de famosos à procura da próxima ex. Ele pode.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

“Romerobritização” de Fortaleza

  Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...

Coisa de pobre

  Inspirado no livro da moda, e dizer que um livro está na moda já pressupõe viés de classe num país de não leitores, pensei no que seriam as coisas de pobre. Seu ethos e marcas, suas especificidades e ritualísticas, suas vestimentas e modos de comer, habitar e viajar. Enfim, o conjunto mais ou menos heterogêneo de características (gostos, preferências, escolhas) que ajudam a montar a imagem mental que se tem do pobre no Brasil, no Nordeste, no Ceará. Tal empreitada antropológica iria requerer que o pesquisador deixasse de lado essa verdadeira tara da arte atual (cinema, televisão e mesmo a literatura) por retratar o 1% dos mais endinheirados, atraída sabe-se lá pelo quê – talvez pelas zonas cinzentas de moralidade de uma casta de privilegiados, como se o pobre fosse, além de desprovido materialmente, um quadro sem forma e fundo que não se prestasse a dramaticidades à altura das ambições estéticas contemporâneas. Como se fosse pobre também em valores, sentimentos e complexidade sub...

Brasil para colorir

Fiquei pensando nessa febre dos livros de pintar, os Bobbie Goods, brochuras terapêuticas que lideram rankings de vendas em eventos literários, os primeiros depois daquela pesquisa cujos resultados mostraram que o Brasil é majoritariamente um país de não leitores. Ou seja, somos mais como uma sociedade para colorir do que para ler, de preencher do que de entender, de repetir maquinalmente o gesto do que de suspender mecanismos rotinizados. Mais de contornar os problemas do que de deixar de lado esses “good feelings”, de vagarosamente ir ordenando tudo conforme uma paleta selecionada ao gosto de quem manuseia esse número finito de cores do que de aceitar que a realidade é informe e multicor. Enfim, talvez haja nessa mania uma chave qualquer para entender sabe-se lá que problemas atávicos, que retornam sempre pela porta dos fundos e aos quais respondemos com esses expedientes. Afinal, o que significa essa opção pela pintura em desfavor da palavra, do andamento irrefletido da mão no lugar...