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Joelho (paradigma Law-Winslet)

Não, me desculpe, mas jamais desejei amor gratuito, tranquilo, livre de traumas. Como um joelho que chegasse aos 13 anos sem machucões.

Francamente, duvido que seja assim como dizem. De qualquer maneira, é diferente, não incomoda tanto quanto outro tipo de sentimento, aquele tipo que requer mais habilidade, paciência e estômago para giros completos na montanha russa. O tipo que faz você rejeitar o café da manhã e ignorar solenemente as atribuições que lhe competem na empresa. É, ainda sou disso. Não, passei muito tempo preocupada em divertir meu irmão sendo sua parceira no PS 2. Cresci verticalmente.

Admito: não gosto desse tipo específico de sentimento – imaginem uma fala pausada, com acento irônico despejado sem razão especial em “sentimento”. Tem sempre o casal do filme. Ele vive provações semelhantes às vividas por nós. Como se cultivasse uma eterna juventude, engata uma via-crúcis na outra, sem encontrar sossego, que só vem no final, claro, quando os dois a) se separam, e o resultado é essa consciência explicitada pelo filme de que o encontro atribulado mudou para sempre suas vidas, ficando cabalmente demonstrado que a aventura pode, sim, ser um lance bacana.

Ou, a despeito da realidade, b) ficam juntos, e não se sabe ao certo se serão tão felizes quanto seriam se cada um tivesse tomado caminho oposto ao do outro.

Kate Winslet e Jude Law são os arquétipos mais reconhecíveis. Há muitos outros, evidentemente. É uma explicação fácil, concordo. Burra também. Sim, eu sei. Quer dizer, parcialmente. Todavia, colocando nesses termos, fica difícil pensar.

Obviamente conheço pessoas envolvidas nos dois tipos. Faço um corte longitudinal nas relações para facilitar as coisas, encará-las de uma maneira didática. Sem ranço acadêmico, por favor. De um lado, pacifistas. Do outro, belicistas. Autoexplicativo, por sinal: enquanto estes querem guerra, aqueles pedem paz. Uns colhem frutos de uma cor. Outros, de outra. Ambos lamentam silenciosamente não poder mordiscar o que o vizinho tem nas mãos. Depois de certo tempo, guerrear já não faz sentido. Estar pacificado também não. Querem trocar de papéis, mas a vida segue.

Não me interessa. Dois tipos, duas implicações existenciais, duas tudo. Duas agonias, sem dúvida alguma.

Impasse? Jamais desejei estabelecer impasse entre nós, por menor que fosse. Como disse, não gosto nem um tantinho desse sentimento.

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