Pular para o conteúdo principal

Sorria, babaca!


Aqui estamos. O ano começa. O carnaval está à porta. A cidade se prepara. As chuvas inundam tudo. A copa do Mundo está aí. As eleições. Tudo acontece. Um ano eleitoral passa rápido. É o último da década. É o primeiro do fim das nossas vidas.

Por falar em vida, vi novamente O exterminador do futuro 3. Já sabia que era realmente condenável. Mas não que era vergonhoso. O que fizeram com essa franquia? Se Deus existe, matará cada uma das pessoas responsáveis por isso.

Fim de ano, começo de outro.

Mas e daí? Nosso calendário é apenas um entre tantos possíveis. Posso inventar um calendário. Posso mesmo decretar novos marcos. Posso dizer: estou em 3010510. Ou no ANO UM.

Por ora.

Venho de fora, de longe, de terras além-Terra. Lá, 2010 é passado. Eles garantem: será um ano como qualquer outro. Passemos adiante.

O que temos pela frente? Ano de mudanças. Melhor: concretizar mudanças. Realizar. Sedimentar. Criar. Um ano que chega às cotoveladas. O que será 2010?

Farei 30 anos. Isso basta. Isso é muita coisa. Três décadas de vida é representativo. É suficiente. Poderia me dar por satisfeito? Não sei. Quero envelhecer – não porque julgue a velhice bonita. Quero apenas saber como é a vibe anciã.

Missão 1> Evitar as criaturas medonhas que nos assombram até mesmo durante o dia. Elas rastejam, querem atenção, exibem um riso grávido de cinismo e prepotência. Engraçado: se lessem isto, elas saberiam que estou falando delas e não de outras pessoas.

Missão 2> Estudar.

Missão 3> Começar a ser pai.

Missão 4> Cumprir as missões, os compromissos, realizar os sonhos.

Como estou mudando – saio da assessoria de imprensa do jornal O POVO e vou para a editoria de cotidiano do mesmo jornal, quero fazer um trabalho decente. Como assessor, fui desastroso. Déficit de atenção, displicência, lentidão etc. A lista é grande. Como repórter, posso ser alguma coisa. Talvez. Quem sabe.

[Esperem as matérias. Quero ver tudo aqui. Novamente. Os cadernos. Sempre quis fazer um Ciência & Saúde. Terei a chance agora].

Uma amiga tem por meta para 2010: evitar o câncer da vaidade. Assumo esse compromisso também. E mais: ambos desejamos nos afastar delicadamente das gentes mais vaidosas. Conseguiremos? Não sei.

Oxalá que sim.

E que venha o Carnaval, que demarca realmente o início do ano.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

“Romerobritização” de Fortaleza

  Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...

Coisa de pobre

  Inspirado no livro da moda, e dizer que um livro está na moda já pressupõe viés de classe num país de não leitores, pensei no que seriam as coisas de pobre. Seu ethos e marcas, suas especificidades e ritualísticas, suas vestimentas e modos de comer, habitar e viajar. Enfim, o conjunto mais ou menos heterogêneo de características (gostos, preferências, escolhas) que ajudam a montar a imagem mental que se tem do pobre no Brasil, no Nordeste, no Ceará. Tal empreitada antropológica iria requerer que o pesquisador deixasse de lado essa verdadeira tara da arte atual (cinema, televisão e mesmo a literatura) por retratar o 1% dos mais endinheirados, atraída sabe-se lá pelo quê – talvez pelas zonas cinzentas de moralidade de uma casta de privilegiados, como se o pobre fosse, além de desprovido materialmente, um quadro sem forma e fundo que não se prestasse a dramaticidades à altura das ambições estéticas contemporâneas. Como se fosse pobre também em valores, sentimentos e complexidade sub...

“Urikianas”

De memória, lembro do bar e o do rosto miúdo atrás dos olhos apertados, reluzentes, afogueados. Que ano era aquele? Tinha pressa, queria conversar, mas já estava de partida. Durante todo esse tempo, tive essa impressão de que era dessas pessoas que falavam enquanto se despediam, instaurando nesse movimento uma presença-ausência precocemente exibida. Parte de si ia embora, outra estava apenas de chegada, num desencontro de corpos e de tempos. A quem me perguntasse, dizia: estou esperando o livro que Urik escreve, tenho certeza de que guarda algo, de que é o portador de um segredo muito bem escrito, de que o que se lê é apenas ensaio, um jogo que se arma nessa vacância de espírito, exercícios de prazer. Então deu-se o sumiço. Soube que viajara, que estava longe, que exorbitara as fronteiras, que se desvanecera. Onde agora? Minas seria um paradeiro possível, no Rio fora visto entre árvores, em São Paulo uma fantasmagoria, esse perfil sem contorno que às vezes assumia mesmo em Fortaleza,...