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De modo que...


Nem sempre o domingo é engraçado. Quase nunca é. Pode ser cansativo, exaustivo mesmo, mas jamais engraçado. Hoje não seria diferente. Principalmente quando:

1. Você acorda, prepara café, toma banho, veste-se. Bebe o café, come alguns biscoitos. Depois, lembra que, um dia antes, enquanto olhava o interior da garrafa como se procurasse ali respostas para todas as perguntas que açoitam a raça humana - existe água na Lua? Por que o Coiote nunca conseguiu capturar o Papa Léguas? -, ela havia adivinhado o manual. Molhado. Aos pedaços. Ainda cheirando a café.

2. Enquanto se prepara para sair, caminhar um pouco, ouvir os barulhos de uma rua sem movimento num domingo de novembro, um sexto sentido enferrujado vomita a informação: você não está só. No topo do edifício vizinho, um urubu sorri. Sacode levemente as asas. Venta bastante. De modo que ele balança pra lá e pra cá. Penso que vai cair. Não cai. Vou embora. O urubu permanece imóvel.

Sendo assim, melhor dar tudo por encerrado. Voltar pra casa. Checar as fechaduras. Conferir se a mangueira do gás está realmente em bom estado. Ver atrás das cortinas – que cortinas? Enfim: desassombrar o ambiente invocando a palavra do Criador.

Ora, ora, ele dirá surpreso com a deferência.

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