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Por que os "corpos de teste" resistem a temperaturas altíssimas


Mesmo longe, mesmo a quilômetros, sentiu o cheiro dela. Eram as emanações de um corpo efusivo, esquivo, um corpo que ainda delirante ainda esgotado semanalmente por esse desejo se recusa a experimentar qualquer tipo de extravagância vespertina porque do outro lado da cama há a porção protocolada que resmunga sempre altissonante quando ela virulenta exige cambalhotas mas não há cambalhotas.

Há camaradagem. Porque a porção protocolada é viva.

Esse corpo quente, doce, quente, esse corpo todo jasmim, quente mesmo matinal, esse corpo se reduz a desejo e se desfaz nos sonhos para na manhã seguinte recompor a configuração social vestida sempre a passeio, como selvagens que fumassem por pura dose de humor charutos e bebessem licores em vez de beberagens arcanas, esse corpo mesmo prolixo deseja.

Mas é sexta-feira sempre e nesses dias há uma interrogação impertinente que responde mais que interroga. O corpo esbarra, não vai além. Porque tem cercas.

É murado. Tem grades guarnecendo cada ponta, vigílias em cada zona, câmeras em cada área mais densamente irrigada – principalmente no perímetro fértil. O corpo é latifúndio, caixa de papelão cujo interior esconde:

Um DVD, um ventilador Mallory, um par de sapatos bem novos, uma escova de dentes, um mp3, um grampo de cabelo, uma camiseta regata. Esse não é o corpo que ele sente à distância. Ele espera, espera. Espera a virada de mesa.

Espera o tsunami hormonal. Porque o corpo mesmo é senhor e escravo.

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