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Microcertezas geradas a partir da sondagem fonética

É ela. Sei que é.

Tem certeza disso?

Absolutamente.

Sendo assim, podemos seguir com as perguntas. A que horas tudo aconteceu?

Umas sete, sete e meia. Entre sete e meia e oito, se me lembro bem.

Posso anotar?

Evidentemente.

Como ela lhe pareceu?

Bonita. Mas não só isso: era especialmente bonita.

Continue.

Cabelos presos, sorriso largo. Acho que tinha as mãos na cintura. Conversava com outra mulher. Era radiante.

A outra mulher?

Não, a cena. Ela, o sorriso, os cabelos presos.

E você, como se apresentava?

Como todos os dias. Vestido normalmente. Nada muito extraordinário.

E o que sentiu?

Um golpe forte no peito.

Já havia sentido isso antes?

Sim, mas não com aquela intensidade, que só aumentou quando ela sorriu. Vi que tinha percebido tudo.

Tudo?

Tudo. O flerte.

Imagino.

“Tudo” durou uns vinte e cinco segundos. Fiquei parado. Era uma estátua. Depois nos vimos novamente. Quer dizer, eu a vi.

Repetição?

Não. Ela tropeçou num desnível do piso. Não me viu. Eu estava do outro lado da sala, escondido atrás do computador. Foi engraçado.

E você?

Já havia caído.


Vou registrar.

Claro. Podemos encerrar por hoje?

Sim. Uma última pergunta.

É que ainda tenho as tarefas...

Uma última pergunta – hoje, quando a olha bem fundo nos olhos, quando segura sua mão e a beija suavemente, você sente realmente que se trata dela? Quero dizer, como pode ter tanta certeza de algo imponderável? O que exatamente ela diz ou faz que lhe permite assegurar esse tipo de coisa?

Ela diz: “Pacoti”. É o bastante.

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