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Eventos improváveis geram resultados inesperados

Venho do fim de semana. Venho da pia, do fogão, da cama. Venho do macarrão de domingo. Vou para o começo de semana. Hoje é segunda-feira; amanhã, terça. Depois disso, ninguém sabe. E depois, pior: há apenas a linha que divide a insciência do mais completo desconhecimento. Há apenas a potência, a promessa. E o sábado, que é sempre melancólico. E o domingo, que vira segunda-feira num piscar de olhos. E novamente a semana de cinco dias.

E, em seguida, o sábado, o dia mais melancólico, o dia mais melancólico. Depois disso, nada.

Um evento qualquer pode desorganizar uma série – uma série de outros eventos? Um evento pode estar carregado de promessas, mas nunca passar disto: promessas? Um evento qualquer pode ser falso? Pode não haver, existir? Pode estar fecundado, mas nunca passar disto: um vazio? Pode alimentar sugestões de felicidade: mas nunca passar da espera cansada, do flerte sem correspondência, do beijo concedido?

Um evento qualquer aparentemente verdadeiro e simples e pleno pode simplesmente nunca ter existido?

Vi essas perguntas escritas num guardanapo. Pareciam endereçadas a quem quer que precisasse de guardanapos naquela terça-feira. Naquele ano, naquele dia, naquela hora, as perguntas tinham saltado da mesa e entrado na minha carteira. Tinham peso, densidade, mas nenhuma intenção de encontrar solução.


Elas ficaram sem respostas.

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