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Como andar pra trás

 

Essa é uma preocupação recente, não sei se preocupação. Como andar pra trás, digo, como desfazer o feito e desdizer o dito.

Não exatamente isso, é possível que esteja me referindo ao fato de fazer algo de maneira não natural.

Como andar pra atrás.

Andar pra trás é não natural.

É algo que não fazemos normalmente, por exemplo.

No dia a dia caminhamos para frente, não para trás.

E se quisermos andar pra trás, chamaremos a atenção.

Alguém ou um grupo de pessoas vai rir apontando para nós e dizer; ele ou ela está andando pra trás.

Porque de fato andar pra trás é o tipo da coisa esquisita que se feita na rua desperta a curiosidade, o que talvez acabe sendo uma coisa boa.

Como exercício, pelo menos, descrever uma sacola de supermercado depois de usá-la pode ser uma atividade interessante.

A colcha da cama depois de acordar. O sofá.

A geladeira e sua organização.

Deus, melhor não.

A ideia é essa, forçar uma situação qualquer que fuja ao habitual.

E tentar descrevê-la; apreender a coisa, mesmo que ao final escapula.

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