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Arte do rascunho

 

Fiquei pensando que talvez a IA nos mate em pouco tempo, que não exista universidade ou escolas em 30 anos ou que o próprio ato de escrever se torne obsoleto, que os processos dispensem a agência humana e por aí vai, num claro exagero dos riscos hoje existentes para os quais olho entre cínico e preocupado.

Mas aí tudo parece repentinamente verossímil, como agora, como hoje, como ontem.

Então li que a ganhadora do Nobel admitiu que conversa com a IA para escrever, ou que escreve conservando, ou que escreve depois de conversar, não entendi ao certo.

De todo modo há uma escritora laureada com o principal prêmio de literatura, o Nobel, rendida – não sei se posso usar a palavra – ao sistema.

Vou usá-la, sim, porque acho que talvez seja isso, ela está tácita ou explicitamente admitindo que o uso da IA pode ser algo sobre o qual devamos pensar a sério também nas atividades que são por assim dizer criativas.

Como a literatura e outras coisas.

E por sistema quero dizer esse outro jeito de escrever, que é um jeito ainda estranho e pouco aceito embora muita gente comece a falar em alto e bom som que recorreu a esta ou aquela inteligência para melhorar uma cena ou procurar saída para uma lacuna ou mesmo buscar ganhos mais interessantes para uma história ainda em estado embrionário.

E é disso que se trata, afinal, a IA operando para aprimorar ou desbloquear uma dificuldade, liberando espaço criativo e abrindo caminhos para que o autor ou autora desenvolva sua trama, melhore seu ambiente, aperfeiçoe suas personagens, caracterizando-as de tal ou tal maneira.

Enfim.

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