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Ainda um barco

Eu vi e não vi a Femme Bateau. Vi de fotos, não vi de perto. Vi que a levaram ao passeio depois de a retirarem do mar onde permanecera por algumas horas. Vinte e quatro? Quarenta e oito?

Não lembro. O barco do Sérvulo na proa da ponte nova que também é velha. E a velha, mais velha ainda.

De novo ali apenas o Mara Hope, que sempre foi assumidamente antigo, enferrujado.

Gosto de que levem o barco cidade afora e o depositem numa sala bem iluminada com ondas projetadas na parede e areia despejada no chão a simular um terreno que não é o dele.

Barco ancorado no simulacro, mas ainda barco.

E que barco era aquele? Ferro retorcido, partes faltantes, não se reconhecia no amontoado o que havia sido a sereia que a ressaca cuidou em afundar.

Era triste e não era.

Mais triste a Iracema refeita em linha e traço, reluzente como uma Globeleza, instalada no arco de uma quina de praia a convidar turistas enquanto monta guarda.

A Iracema que nunca relaxa. Das estátuas, a minha preferida. Vergar um arco assim tanto tempo sem parar.

Tenho simpatia pelo barco despedaçado. Cacos à mostra. Como a dizer: vejam o que restou depois da ressaca.

É feio, desconjuntado, mas ainda podemos ver nele o barco que costumava ser.

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