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Uma conversa com Pizarnik

Uma mistura de coisas, roupas, pedaços de livros, cacos de fotografias que foram se juntando e agora formam um mosaico de vidas que antes eram partes móveis de outras igualmente partidas e juntadas ao gosto da sorte, tudo por obra e força de quase nada, tudo em perfeita harmonia com o descaso do acaso.  

Uma vida em mistura, rotinas, horários, coisas que se grudam por força de atração gravitacional, horas que engordam de tarefas que precisamos executar porque estamos cheios de uma matéria que não sabemos, mas talvez seja felicidade. Uma felicidade que, ninguém suspeita, é a grande novidade. E uma novidade que, mal sabem os que falam ou os que calam à passagem do amor, também tem sabe a tudo que pede que fique.

Uma coisa de imiscuir-se no outro sem ter onde começar, tampouco terminar. Uma vida cada dia mais em compasso de outra coisa não sabida. Uma vida sem medo, um amor que não é medo nem morte, mas amor. Um medo de não amar o amor que não é medo. Uma morte que não amar é. Um medo de morrer antes do amor. 

Mas aqui reescrevo o poema de Pizarnik que acabo de ler. Rasuro eu mesmo tudo que havia dito e pensado sobre um feriado no qual celebramos ou choramos os mortos.

Os mortos de amor, os trágicos e velhos, os mortos de sobrecasaca, os mortos de cansaço, os mortos por engano e os mortos muito jovens, os mortos por dolorosa despedida e os mortos por cansarem de esperar, os mortos que não esperaram e ainda estão vivos, os que se recusam a morrer e os que morreram desapercebidamente.  

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