Olha, essa obrigação de concatenar
pensamentos expressos em frases que, em conjunto, tenham um significado além do
mero registro em dicionário, que digam mais do que um ajuntamento qualquer de
palavras, a obrigação de afirmar com todas as letras isto é isto, aquilo
é aquilo, de prolongar o que se resolve num parágrafo, achar que escrever mais
seria uma forma de atenuar, essa compulsão em fazer sentido e com isso
convencer os outros, a pretensão de se abrir em liquefeita razão, clarear as
ideias como se clareiam os dentes, o desastre que é mecanizar a volta do
ponteiro, a desgraça que também é relativizar tudo, a merda que todo mundo faz
no momento exato em que aceita que da calçada pra fora a vida é esse jogo mesmo e
que cabe a cada um jogar da melhor forma possível.
Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...