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Círculo do Pensamento (CSU da Barra)




Um argumento seria: grupo de jovens quer descobrir o Ceará profundo, mergulha na estrada e retorna não muito diferente de quando partiu, afinal, afinal, o Ceará profundo está nas cidades e não no distrito mais afastado de Barroquinha, de maneira que somente agora começam a considerar o XII edital das artes como algo verdadeiramente oportuno. Então inscrevem um projeto, então são aprovados, então ganham muitos prêmios e se tornam bastante conhecidos como intérpretes da alma local.

E se dão muito bem na vida, como podem ver, ao contrário de seus pais e mães, que não tiveram tantas oportunidades e acabaram amargando empregos pouco charmosos.

Outro argumento seria proceder à cartografia – para usar uma palavra da moda – e, de posse dos mecanismos de investigação mais modernos no cinema e na antropologia, montar um jogo de espelhos e afetos - outra – urbanos, demonstrando por A + B que, sim, nós temos uma sociabilidade noturna/boêmia/cultural invejável, rica, que não deve nada a nenhum centro urbano de nenhuma cidade brasileira.

O que não é verdade, mas também não é mentira.

Cidade é uma ficção, acredito que são inventadas tanto quanto personagens de livros e filmes, construções físicas, mas principalmente imaginárias. 

Uma fortaleza cenográfica, por exemplo, feita a partir dos tapumes das obras inacabadas.

E se, unidos aos motoristas de ônibus e aos policiais militares, os ambulantes da Igreja da Sé organizassem um motim, de modo que, à primeira badalada do sino no dia 1º de janeiro de 2013, fosse decretada nesta terra uma República de Galegos, capitaneada dia sim por egressos do sistema penitenciário, dia não por donas de casa que, em 2012, conseguiram romper com o cerco do patriarcado e abriram o próprio negócio, num decalque perfeito de empreendedorismo a la Sebrae?

Nessa República de Galegos, as principais decisões concernentes à cidade seriam votadas nos terminais de ônibus e as confraternizações seriam deslocadas das avenidas Sebastião de Abreu e Universidade para a avenida Central, no Conjunto Ceará, que rapidamente passaria a epicentro irradiador de uma nova cultura, uma cultura cuja forma poética mais difundida seriam as frases de efeito escritas no encosto das poltronas de transportes coletivos.

E se, numa derradeira tentativa, entregássemos a gestão da metrópole aos estudantes cearenses que obtiveram as melhores notas no exame do ITA, elegendo como critério de desempate o número de projetos apresentados ao longo do semestre em áreas como robótica e design de interfaces? Gerência qualificada para problemas insolúveis da urbe a cargo de quem entende, a administração da capital cearense finalmente seria tocada por inteligências genuinamente nativas, crânios cujo DNA remonta ao primeiro sertanejo e ao primeiro romeiro.

Pensem aí. Dei algumas dicas preciosas que, levadas adiante, podem resolver parte considerável dos nossos problemas.

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