Era buscar qualquer coisa, o que traria? Um objeto? Seguramente não, fosse de querer mergulho para dentro, saber-se preenchido de que fluido, enfim, esgaravatar as dobras próprias, com que intuito, tinha por magoar a carne uma necessidade que agora dormia na rubrica do incômodo. No mais, a medida dos dias passava ao largo do entendimento, ansiava, ansiava, mas era assim que procedia, permitindo-se o susto preciso, a paixão doméstica, carga de felicidade comparável ao tamanho que havia de ser para sempre, nem mais, nem menos. Um fatalismo cheio de esperança.
Tempo sem medida, tempo todo afeito ao estranho.
Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...
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