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O PAradigma FlyNN

“Todos sabemos o que é a escuridão. Nós a carregamos dentro de nós” – acabo de ler.

A frase parece boba. É falsamente boba. Ou, falsamente falsa boba. Eu não sei o que é a escuridão. Nem a claridade. Muito menos o lusco-fusco. O não estar estando. Não achar achando.

Não gosto de frases repletas de sentidos, sabem? Gosto de clareza. Dizer: ninguém sabe o que é a escuridão. Ninguém sabe quando e onde daremos com os burros n’água.

A escuridão é o falso paradoxo, a obra inacabada, a desconstrução contínua de uma...

De uma noz.

Dei uma pausa nas leituras. Por enquanto. Estava ficando sufocado. Não entendo isso. Como se tanto mundo sufocasse, tanto mundo, tanto. Tanta vida. Tanta cor.

Excesso. De palavras. Uma curva no rio, um elefante, assassinos, um suicida. Está bem. O que tudo isso quer mesmo dizer?

Absolutamente nada. Apenas que estou cansado.

Viver é uma partida sem fim. Por exemplo: quando estou cansado de matar terroristas, aponto o cursor do mouse e clico na palavra “Quit”. A vida não funciona desse jeito. O mais próximo que conheço do “Quit” é um tiro num dos lados da cabeça.

Quanta amargura... Ou falsa amargura, uma amargura que é mais estilo que realidade. Mais jogo de cena. Porque jogo de cena é fundamental hoje.

Como você joga? Uma conversa me fez pensar: que máscara social você usa? Cara, que pergunta cretina. Ultimamente tenho feito perguntas cretinas a pessoas cretinas.

Logo — porque se A é igual a B e B é igual a C, A é igual a C — eu sou um cretino. Se não um praticante, ao menos um teórico.

Hoje vi “Indochina”. Um bom filme. Vi sem óculos. Gosto de fazer isso de vez em quando, experimentar a visão defeituosa. Presente da natureza. Sabem, é bom. A perda. Ele está ali em cima da mesa mas por alguma razão pensei que poderia enxergar sem o auxílio das lentes.

Andar sem as muletas.

O que achei? O filme não é tão bom quanto faz supor a primeira hora. Ele piora. Uma hora, vira meio que um novelão. É longo. Podia ter entre quarenta e cinqüenta minutos cortados facilmente.

Uma coisa que não mexi, continuo a ler. “Kafka de Crumb”. Gostei. Digo, estou gostando. Em termos gerais, as primeiras páginas da revista me disseram que o escritor não foi exatamente um oráculo de tudo que se produziu e que ainda se produzirá em termos de absurdos, de idéias absolutamente paranóicas sobre coisas nunca antes imaginadas. Que ele provavelmente não concordaria com o uso indiscriminado de seu próprio nome nem com as dimensões míticas que ele acabou assumindo ao longo das décadas.

Ou talvez até gostasse.

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