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O inferno é bem bacana

Parte I

Bom, final de sábado.

Não! Não disse “Bom final de sábado”. Mas “Bom” e, reticente, “Final de sábado”. Duas coisas totalmente diferentes. Como água e óleo.

No primeiro caso, há um certo humor satisfeito. Quer dizer: acordei cedo, corri, fui à praia, li, fui ao cinema e, agora, planejo uma saída com a esposa e os amigos. A isso se segue naturalmente “Bom final de sábado”.

O que não é o meu caso. Nem queria que fosse. Joguei até tarde da noite — precisamente, até as 3h40 — e fui dormir. Ganhei. Pela primeira vez, destruí os exércitos violeta, aqueles que ficam a sudoeste no mapa e, sempre que dou bobeira, aproveitam, algum flanco descoberto, incendeiam as torres e fazem terra arrasada com todo o resto.

Eles são sanguinários, matam por muito pouco. Ontem, porém, resolvi dar um basta nessa sem-cerimônia com que vinha devastando todo o mundo civilizado, barbarizando-o. Às 3 horas, pus abaixo as construções do inimigo e trespasse com minha espada o último soldado vivo.

A seguir, fiz o mesmo com o pequeno povoado que, embora também constituísse alguma ameaça, estava longe de representar perigo semelhante ao que os violetas (sei que eles não gostariam de ser chamados assim, “violetas”) costumavam inspirar. Enfim, não fui nem um pouco razoável.

Age of Empires III é um bom jogo. Aos poucos, estou aprendendo as coisas. Deixo de lado leituras etc. para jogar duas ou três horas a mais. Mas isso tem de acabar, deve acabar. Afinal, as aulas recomeçaram na quarta-feira passada.

O inferno é bem bacana. Finalmente, terminei a biografia O Mago, do Fernando Morais. Bom livro. Gostei. Paulo Coelho tem meu voto. Adorei o capítulo dedicado ao ingresso do escritor na Academia Brasileira de Letras. Aliás, não gosto do começo, que inclui os três capítulos iniciais. A partir daí, a coisa passa a andar numa velocidade razoável. Descobre-se que o personagem é realmente bom.

Mas hoje estou azedo. Muita coisa não deu certo. Sinto que não. Domingo não será um bom dia. Ainda que seja Dia dos Pais, essa bobeira, não será. Preciso relaxar e ver o que posso fazer neste começo de segundo semestre. Ver o que realmente posso fazer. O que preciso fazer e o que devo fazer. Como “Bom, final de sábado” e “Bom final de sábado”, são duas coisas bem diferentes.

Em seguida, digam o que acharam do domingo. Por favor. E, também por favor, não falem comigo nos próximos dias. Estou mordido. Tão mordido que devo escrever aqui dia sim, dia não. Faz bem. Acalma.


Parte II

Acalmalma.

Hoje pretendo dormir fora. Na casa da irmã. Minha primeira noite lá. Vamos assistir a alguns vídeos. Eu, ela, cunhado e esposa. Eu, autor; ela, irmã; cunhado, o agregado; minha esposa. Todos nós. Sangue Negro e Onde os fracos não têm vez. Claro que não fui ver no cinema. Chega de bobear comigo.

O mar não está para peixes, disse o búzio.

VOCÊS SABEM COMO TERMINA UM SÁBADO? Eu também não. Eu também. Sim, obviamente. Não, claro que não. Longe de mim. Se der tempo, vamos. Do contrário? Do contrário fico em casa esperando Cine Belas Artes. Sim. Sim. Sim novamente. Estou acostumado. Claro. Até mais ver.

Leio Eu falar bonito um dia, de David Sedaris. Mais a qualquer momento. Antes, tentei um livro-reportagem. Parei na página 10, 12 ou 22, não lembro.

Uma vez, a escritora e “imortal” cearense Rachel de Queiroz disse nunca conseguir passar da página oito sempre que se aventurava a ler qualquer coisa do Paulo Coelho. SABEM O QUE ELE RESPONDEU?

“Nenhum livro meu começa antes da página oito”. Dei boas gargalhadas lendo isso na biografia dele.

Agora, o que há de bom para se contar? Sei... Sim, como não havia pensado nisso!

AS ESTRELAS.

Sério.


Parte III


Tudo tem três partes. Se não tem, quer ter. Ou deveria ter. Ou quereria ter.

Já ouviram falar do bairro Floresta? Não. Mais dia, menos dia, irei lá. Lá fora tem um lugar que me faz bem... Pode ser Floresta. Vou de mãos vazias, apenas mochila, bloco e caneta. Mais Fama & Anonimato, do Talese — amuleto. Volto com personagens, rabiscos e bronzeado.

Mas volto. Até outro dia.

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