Que se escreva não à noite, mas durante o dia, por
alguém que acredite ser noite e não dia, que troque as horas e as luzes, que
confunda claro e escuro e de vez em quando até nem veja diferença entre uma coisa
e outra, estando e não estando, alguém cuja falta de capacidade para distinguir
mudanças climáticas e pequenas alterações não seja um embaraço, um fardo, mas
um motivo de alegria, um contentamento qualquer como dinheiro encontrado no
bolso da calça dobrada no espaldar da cadeira.
Foi apenas quando li o anúncio prometendo uma “Aldeota no Eusébio” que me dei conta dessa “romerobritização” de Fortaleza, ou seja, a paulatina substituição de seus signos mais antigos (nem sempre bonitos, mas históricos) por uma estética não apenas nova, mas cafona e estridente, facilmente replicada em qualquer lugar. Uma metrópole feita por IA, com padrões copiados aqui e ali, espigões e requalificações, prédios espichados e um centro urbano ao Deus dará. Enfim, um aterro visual que impõe à cidade o apagamento de seu tecido e a rasura de seus marcos, mas sobre isso tenho falado tanto que me dá certa gastura. Um exemplo é a ponte velha, agora convertida em problema para o qual é preciso encontrar uma solução rapidamente, antes que algum enxerido sugira conservar o espaço, dando-lhe melhor uso, ou, o que é pior, ouvir as comunidades do entorno. E a resposta naturalmente é derrubá-la, já que não se pode atirá-la no mato, como seria do feitio do nativo urbano com ares de cosmopolit...