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Toda a água

Antes de sair de casa, tomou outra xícara de café. Apanhou uma caneta e prometeu guardar silêncio ao longo das próximas horas, fizesse chuva ou sol, morressem pandas ou não. Os pensamentos assim, empurrando-se uns aos outros, como refugiados a desembarcar de um navio à beira do naufrágio. Saiu. Voltou. Tinha esquecido o mp3, que pôs na mochila. Abriu a geladeira mais uma vez. A garrafa cheia, tudo guardado, faltavam cervejas, poucas frutas, nenhum chocolate, azeitonas vencidas, escassez de iogurte, hambúrguer congelado, uma panela destampada. A água sempre com esse gosto estranho, um sabor metálico, cheia de temperos. Considerou tomar outro banho, colocar outra roupa, embarcar noutro ônibus e descer noutro ponto. Devolveu o mp3 à mesa. Tampou a panela. Comeu uma azeitona. Gostou do sabor. Abriu a janela. Esperaria que a chuva molhasse tudo. 

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“Romerobritização” de Fortaleza

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Coisa de pobre

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Brasil para colorir

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