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Cenas de carnaval

Com ar pesaroso, o garçom aponta a televisão e diz que a outra também foi mutilada, e por mutilada quer dizer que alguém ia passando na rua e resolveu apedrejar os dois aparelhos, aparentemente sem razão para tal, de maneira que agora o homem de cabelo cortado bem rente ao couro me encara como se buscasse investigar na minha incipiente reação facial o quão fundo aquela informação parecia ter batido, e qual não é a sua surpresa quando sorrio e digo sem medo de ser feliz “as pessoas ficam realmente possuídas na festa de Momo”, antecipando-me, portanto, à tentativa do garçom de talvez não procurar culpados, mas de checar as consequências da narrativa que acabara de contar, e foi nessa hora que, preferindo encurtar a conversa a continuar naquele jogo de gato e rato, pedi um prato executivo de filé à parmegiana, que é o que sempre peço naquele restaurante.